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Haddad anuncia Paulo Picchetti e Rodrigo Teixeira para diretorias do BC

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Banco Central do Brasil, fachada externa. Brasília, 02-03-2017. Foto Sérgio Lima/Poder 360.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou as indicações dos economistas Paulo Picchetti e Rodrigo Teixeira para diretorias do Banco Central.

Os nomes devem ser indicados formalmente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda nesta segunda.

Paulo Pichetti está sendo indicado para a diretoria de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos;
Rodrigo Teixeira foi indicado para a diretoria de Relacionamento, Cidadania e Supervisão de Conduta.
Para poderem assumir, os indicados ainda têm de passar por sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal. Em votação, os senadores precisam aprovar as indicações na CAE e em plenário.

A diretoria colegiada do Banco Central é composta por um presidente (Roberto Campos Neto) e oito diretores.

Desde 2021, com a lei que deu autonomia administrativa ao Banco Central, os diretores e o presidente da autarquia têm mandato com prazo definido em lei – ou seja, só podem ser trocados ao fim do prazo.

Com as indicações do presidente Lula nesta semana, o BC passará a ter quatro nomes do atual governo.

Quem são os indicados?
Segundo perfil disponível no site da Fundação Getúlio Vargas, Paulo Picchetti tem mestrado em economia pela Universidade de São Paulo (USP) e doutorado pela Universidade de Illinois (EUA).

É professor na Escola de Economia da FGV, com experiência em temas como métodos quantitativos, greves, teoria dos jogos e econometria.

Se confirmado pelo Senado, Picchetti vai substituir a atual diretora de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos, Fernanda Guardado.

“É uma pessoa que trabalhou na Fipe, trabalhou no IBRI, é responsável há muitos e muitos anos pelos principais indicadores de inflação do país. Uma pessoa que tem um repertório acadêmico considerável e um conhecimento da área a toda prova”, descreveu o ministro.

Rodrigo Teixeira é funcionário de carreira do Banco Central, com mestrado e doutorado pela Universidade de São Paulo, segundo descrito por Haddad no anúncio.
“Foi meu subsecretário de Gestão quando eu era prefeito de São Paulo. […] É uma pessoa que me ajudou muito na prefeitura de São Paulo, com reestruturação de carreiras. Vai poder, junto ao Banco Central, fazer uma mediação necessária com o governo federal neste momento. Tem o respeito dos colegas, dos demais diretores”, disse Haddad.

Se aprovado, Teixeira substituirá Maurício Costa de Moura na Diretor de Relacionamento, Cidadania e Supervisão de Conduta do Banco Central.

O que fazem os diretores?
A principal atribuição dos diretores do Banco Central é zelar pelo controle da inflação. No Brasil, vigora o sistema de metas, nas quais o BC tem de mirar. A taxa básica de juros da economia, a Selic é o principal instrumento utilizado pela instituição.

Quando a inflação está alta, o BC eleva a Selic. Quando as estimativas para a inflação estão em linha com as metas, o Banco Central pode reduzir o juro básico da economia. Após duas quedas seguidas, a taxa Selic está atualmente em 12,75% ao ano.

Os diretores do BC participam da definição dos juros básicos da economia durante as reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), que acontece a cada 45 dias.
O próximo encontro está marcado para esta terça e quarta-feiras (31 de outubro e 1 de novembro). A previsão do mercado é de um novo corte na taxa, para 12,25% ao ano nesta semana.

Críticas de Lula
No decorrer deste ano, o presidente Lula fez reiteradas críticas ao patamar da taxa básica de juros da economia, que só começaram a se atenuar após o BC ter dado início ao atual ciclo de corte da Selic, em agosto. A avaliação de Lula é de que juros altos freiam o crescimento da economia e a geração de emprego e renda.

O atual presidente do BC, Roberto Campos Neto, foi indicado para o cargo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e confirmado pelo Senado. Com a aprovação da autonomia do Banco Central, ele tem mandato até o fim de 2024.

No fim de setembro, o presidente Lula recebeu Campos Neto para uma conversa. Foi a primeira reunião entre os dois desde que Lula tomou posse, em janeiro. A pauta do encontro não foi divulgada. Segundo o ministro Haddad, a reunião buscou “construir uma relação” entre os dois.

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